13 agosto 2008

questionamento da ginasta. ou será da bailarina?

estava aqui vendo na televisão, mais de meia noite, a competição de ginástica olímpica. a daiane dos santos, a jade e por aí vai...lembrei que quando eu era criança, uma vez, eu queria ser ginasta. tinha um colant como o delas, que nem sei de onde saiu...azul, com umas listras e uma estrela no braço. vai ver era da filha de alguma amiga da minha mãe que não usava mais, que deixou de servir, e eu herdei.
depois, eu ganhei de aniversário um kit com aquela fita (que usam no solo), um bastão, umas faixas de usar na cabeça. ou sacaram que eu gostava disso, ou queriam que eu fosse isso, ou foi coincidência mesmo. mas pobre quase não tem chance de fazer essas coisas. já tenho que ficar feliz por ter ido no ballet e ter ganho até uma medalha. ser bailarina tambem me encantava. minha tia marli me levou até pra ver uma apresentação de verdade! depois, me mudei, não tinha nada perto, minha mãe não podia ir me levar e por aí se vai a vida.
na verdade, bem na verdade, eu não gosto muito de olimpíadas. nem de copa do mundo, nem de eleições, nem de nada que monopolize todas as atenções, sem deixar que o povo pense outras coisas. eu sou aquela chata que acha que as lojas não devem fechar quando o brasil joga na copa do mundo. minhas amigas acham que sou louca. eu acho que é preciso trabalhar, seguir a vida. sou contra a "política do pão e circo".
como é preciso viver em sociedade e eu acho importante saber transitar pelos vários mundos, pelos vários ambientes e saber conversar sobre várias coisas, eu dou uma olhadinha. o mesmo faço com novela. não gosto, mas é um tema onipresente (tá, não é para tanto).
então, em um desses meus momentos, estava aqui, agora há pouco, a assistir as tais meninas. pensei: vida dura essa delas, hein? até que ponto vai um ser humano, sentindo dor, pressão, cansaso?
não sei bem o que pensar. ora sinto uma pena, pois acho que elas seriam felizes sendo meninas normais, sem um técnico gritando, sem as mãos cheias de calos e os corpos modificados pelo esforço. ora sinto orgulho pela garra que elas tem. e quando acho que eu tenho garra, noooossa, perto delas, acho que estou bem na minha.
mas será que a vida não é dura assim para todos (ou quase!) todos?
será que cada um de nós, em suas profissões, em suas famílias, não vive o mesmo que elas, dentro das devidas proporções? ter um filho? me parece uma dádiva, mas ao mesmo tempo, uma dureza (para as mulheres, né??). fazer mestrado? parece uma grande conquista, e é, mas não é uma dureza ter que estudar por dois anos sem parar pela diplomação?
daí comecei a pensar que quase tudo na vida tem mais do que um lado, tem pontos de vista, formas de interpretação. ciências exatas não são assim, creio eu. mas tirando elas, o que nos resta que não possa passar por questionamentos? que não possa ser uma dor e uma delícia?
orkut é legal, mas traz a exposição, empreender é legal, mas traz altos e baixos, viver bom, mas tem um fim.
há algo que não seja assim?

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