06 março 2006

:seis:março:doismileseis:

faz dois anos que me formei...exatamente hoje. toga, salão de atos, família embecada, lágrimas, vestido longo, fotos, baile, cabelo loiro e comprido, vontade de acertar e medo de sair da faculdade e encarar o mundo lá fora. e vem chegando os alquimistas era a música de entrada, eu ainda me lembro. a emoção de entrar no salão cheio é a melhor de todas. melhor do que pegar o diploma.
pois é, além do cabelo, pouca coisa mudou dentro daquela que queimou a mão com água quente na noite que antecedia a cerimônia...tudo em nome de um chá que a deixaria mais calma. sim, eu ainda sou aquela que fez o juramento com a mão queimada mesmo, que gastou uma fortuna para arrumar os cabelos pois aquele era um dia importante, aquela que encheu de orgulho o pai e a mãe que há uns 20 anos atrás jamais imaginariam que ela sairia formada da universidade federal.
o que tenho a dizer dois anos depois? a vida é dura, o mundo é cruel e não é nada justo. sim, tudo é mais complicado aqui fora da faculdade. até contatar os amigos é mais raro, pois é normal que eles sigam seus próprios rumos.
o mercado é foda, as dinâmicas de grupo só te julgam pela aparência e a competição é tamanha que às vezes penso que vence quem dá para o chefe. e como isso não faz o meu tipo, sigo à margem da atuação profissional, buscando lugar ao sol onde tudo é nublado e escuro.
mas isso todo mundo já sabe. quem não sabe, é porque não quer saber, não se importa. segue tendo sua personalidade julgada por um cartazinho colorido que fez e mostrou pras psicólogas. que coisa pequena pra tentar dizer quem eu sou. o que eu sou, desculpem-me, nunca vai caber num simples cartazinho colorido de uma seleção como essas. eu sou bem mais do que isso.
mas é a roda da vida. hoje minha irmã começou a faculdade na ufrgs. uns precisam sair para que os outros possam entrar. é assim que funciona. é o dia dela de encontrar os prédios, de se perder entre eles, de ter amigos novos e ir beber cerveja depois da aula e trocar os telefones na capa do caderno.
é a vez dela de conhecer os amigos que vêm do interior, de ser do diretório acadêmico, de ir acampar nas jornadas da vida e dormir só no edredon. é a vez dela de comer pão de queijo na casa do estudante, de trabalhar nas bolsas, de matar aula pra ficar no pátio, de dar e tomar trote.
sinto muita falta desse tempo. dos longos debates de madrugada que queriam mudar o mundo, das tardes ensolaradas atravessando a redenção, de chegar muito atrasada na aula e ter meu nome já assinado na chamada.
mas as coisas precisam seguir, de uma forma ou outra. passando, atropelando, renovando os ares mofados das coisas que ficam pelos cantos.
e nos resta contar o tempo. ou fingir que ele não existe e que sempre é hora de uma coisa nova.

Comentários:
Tempos de facul... Sempre ótimas lembranças!
Pensando agora, não acredito que já vão fazer quase 5 anos que me formei.
Que coisa, daqui a pouco viro tio mesmo... hehehehe
 
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